Como é de praxe de grande parte da sociedade negar o funk,
também há a outra parte que a incentiva com argumentos sobre a cultura da
favela, que respeito. Entretanto há os que neguem esse estilo musical e ao
embalar da noite vão até o chão. Quanto ao gosto musical, cada um tem o seu, e
tem o direito a escolher o que quer ouvir, isso não se discute. Mas o problema
está na generalização feita pela mídia e que é passada para o exterior. Um povo
que só joga futebol passa o dia na praia de Ipanema e ouve funk. Depois ficam bravos com o Stallone falando
que só há macacos no Brasil.
Como já afirmei, cada um ouve o que quer, entretanto um dos maiores problemas
está quando você é obrigado a ouvir o que não quer, não preciso falar desses
nossos “amigos” de ônibus com suas “lindas” músicas a todo volume, pois é uma
realidade que todos já conhecemos e vivenciamos, seja em ônibus, seja na rua.
Todavia isso já esta sendo bem encaminhado no Estado de São Paulo, com o
projeto de lei 19. 731/2012, de autoria do deputado Carlos Geilson determina
uso de fone de ouvido em aparelhos sonoros enquanto o passageiro permanecer no
interior de ônibus intermunicipais, micro-ônibus, vans, catamarãs, trens, entre
outros meios de transporte. Felizes serão os ouvidos paulistas, e aqui não me
refiro apenas ao funk, mas a todos estilos musicais, pois independentemente da
música a tocada em alto volume, sem acessórios de fones de ouvido, causa certo
desconforto aos outros passageiros que não são obrigados a gostar do que estão
ouvindo.
Caso fosse apenas os sons altos em transportes públicos e vias públicas, não
seria tão ruim assim, o fato é que o conteúdo musical (se é possível dizer que
há algum conteúdo) na maioria das vezes é com apologia a sexo, seja na dança,
seja na letra, seja nas roupas. Como se o ser humano vivesse apenas para um
fim, reprodução em massa da espécie. É aí, meus amigos, que eu me refiro que
somos comparados aos macacos, é aí que não se enxerga a racionalidade humana,
pois é difícil acreditar que uma pessoa que só pensa em sexo seja muito
racional. Onde ficar escrevendo música de “eu quero dar pra você” “venha me
f....”(e não vou seguir aqui falando de letras de funk, pois não quero baixar o
nível do texto) é bonito, mostrar a bunda com roupas sensuais às duas e meia da
tarde é cultura, onde está o bom senso? Há crianças assistindo essa
programação, que vão achar que isso que é o legal, ficar balançando a bunda, e
fazendo danças com apologia ao sexo é bonito. Hoje uma criança de 4 anos
fazendo dancinha do créu, quadradinho de oito, é bonitinho, bate palma pra ele
(a), depois tem filho com 12 anos e não sabe o que fez de errado.
Pergunto-me, será que esses compositores de funk têm a criatividade tão
limitada ao ponto de ter de apelar a roupas pequenas, e danças pornográficas para
conseguir chamar a atenção? Já não sei responder isso a vocês, entretanto nossa
música já encantou o mundo, e não foi necessário mostrar a bunda para ninguém.
Onde estão os talentos como Vinícius de Morais, Tom Jobim, Chico Buarque,
Renato Russo? Dentre muitos outros talentos que existem/existiram e não citei
para não deixar o texto extenso. Eu respondo a vocês, eles estão em casa,
escrevendo lindas canções que nunca irão tocar nas rádios, pois o bonito é usar
calcinha fio dental em rede nacional. O que a mídia quer, é bunda na TV pra
ganhar audiência. Enquanto isso, nossos ouvidos são massacrados com composições
de péssima qualidade, e os verdadeiros artistas sem incentivo para encher nosso
povo de orgulho mais uma vez.
Quero deixar claro que não tenho nenhum preconceito contra quem ouve funk, todavia
respeitem que não gosta. Mídia, o povo brasileiro não é o bobo da corte do
mundo, nós também podemos escrever lindas canções, como já fizemos, parem de
impor que todo brasileiro ouve e tem que ouvir funk. Obrigado.